
Há alguns dias terminei Mostre Seu Trabalho!, de Austin Kleon, um livro curto que parte de uma ideia bastante simples, mas que acabou me fazendo pensar sobre várias coisas que faço no meu dia a dia. O livro fala sobre criatividade, produção e, principalmente, sobre a importância de compartilhar aquilo que fazemos. Kleon defende que não devemos esperar até que um trabalho esteja completamente pronto, perfeito ou suficientemente importante para colocá-lo diante de outras pessoas. Ao contrário, existe valor em mostrar o processo, registrar o que estamos aprendendo, compartilhar as referências que nos influenciam e permitir que outras pessoas acompanhem aquilo que estamos construindo.
A proposta não é exatamente ensinar alguém a fazer autopromoção. Na verdade, o livro trata de uma questão um pouco diferente: como tornar o nosso trabalho encontrável. Podemos passar muito tempo produzindo alguma coisa, desenvolver uma pesquisa, escrever um texto, aprender uma habilidade, criar um projeto ou desenvolver uma ideia e, ainda assim, manter tudo isso praticamente escondido. Ficamos esperando o momento adequado para apresentar o resultado final, como se somente aquilo que está acabado tivesse algum valor. O problema é que, enquanto esperamos esse momento, ninguém sabe que estamos trabalhando, o que estamos aprendendo ou sequer que aquele trabalho existe.
Foi justamente essa ideia que mais me chamou a atenção durante a leitura. Estamos acostumados a mostrar os resultados, mas raramente mostramos o caminho que nos levou até eles. Um artigo publicado parece pronto quando chega ao leitor, mas antes dele houve leituras, anotações, hipóteses que foram abandonadas, análises que não funcionaram, versões que foram reescritas e uma quantidade enorme de trabalho que desaparece quando olhamos apenas para o produto final. O mesmo acontece com praticamente qualquer atividade criativa. Quando vemos uma música pronta, um livro publicado, uma fotografia ou um projeto concluído, temos acesso ao resultado, mas não necessariamente à história que existe por trás dele.
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